Fragmentos Traduzidos #3 – O Caldeirão de Gundestrup

Tradução, não integral, do texto: O Caldeirão de Gundestrup.

Autor: Flemming Kaul

O caldeirão de Gundestrup¹ foi encontrado em um pântano em Himmerland na Jutlândia em 1891. O caldeirão de prata, que pesa quase nove quilos, estava desmontado e depositado em uma região seca do pântano […] As enigmáticas representações de deidades e cenas religiosas nas treze placas de prata fazem do caldeirão um dos mais importante trabalhos de arte da pré-história europeia, e provavelmente nenhum outro trabalho de artesanato motivou tantas publicações […]

4757716827_449d673095_z[Figura 1]

Armas e ornamentos representados no caldeirão tornam sensato assumir que o mesmo foi fabricado por volta do ano 100 a.C. Houve diversas opiniões diferentes quanto ao seu lugar de origem. Dois locais são alvo de debate: a atual França e as regiões do baixo Danúbio.

A razão para esta divergência é uma ambiguidade acerca deste: por um lado o estilo   e o trabalho é claramente Trácio, por outro lado alguns dos temas são claramente Celtas, alguns destes ocorrendo com mais frequência na Gália. Descobertas recentes de tesouros em prata Trácios e túmulos na Bulgária e Romênia tem fornecido novos materiais para comparação […] Primeiramente o caldeirão por si só é claramente do tipo Celta […] por outro lado a técnica, prata modelada em alto relevo parcialmente dourada, é típico artesanato Trácio marcadamente do quarto ao primeiro século a.C. Além disso, o modo como estão representados os pelos dos animais é Trácio na concepção […] a presença de cães e animais fantasiosos como grifos mostram uma relação de proximidade do caldeirão e a arte Trácia.

tumblr_mvxt3mx9Mk1smvdiao4_r1_1280.jpg[Figura 2]

Um padrão particular é a espiral na testa do grande touro presente na parte inferior. Apesar de espirais ou triskeles serem bem conhecidos na arte celta eles nunca estiveram presentes na testa de touros […] as evidências dos tipos de artefatos presentes no caldeirão também mostram uma certa ambiguidade. A maioria  dos torques são claramente tipos celtas encontrados com mais frequência no oeste mas também utilizados pelos celtas do leste e sudeste […] Dois torques, contudo, pertencem a um grupo raro de torques não celtas provavelmente provenientes do sul da atual Rússia na região do Mar Negro.

3225196924_e2a3b6ff40_z[Figura 3]

Os escudos representados no caldeirão são típicos escudos longos celtas, mas testemunhos da Bulgária e Romênia mostram que este tipo de escudo também era utilizado por tribos não celtas do leste.

No sudeste da Europa os “trompetes de guerra”, os Carnyx, tem sido encontrados no formato como podemos notar nas representações do caldeirão, enquanto que representações destes são muito frequentes no oeste europeu. Os elmos do caldeirão também são tipos celtas, os tipos com aves de rapina e javalis em seu topo são conhecidos tanto entre os celtas do oeste como do leste. […] A divindade com chifres pode ser identificada com o deus céltico, cultuado no oeste, Cernunnos, o qual não é encontrado no Leste […] Como podemos explicar a ambiguidade desta evidência arqueológica? […] A melhor solução para o problema se encontra na tribo celta dos Scordisci que no terceiro século a.C. se estabeleceu parcialmente no território dos Trácios […] no noroeste da Bulgaria vários túmulos escavados documentam uma coexistência aparentemente pacífica da tribo Trácia dos Triballoi e dos Scordisci, tal coexistência também é citada pelas fontes históricas […]

OLYMPUS DIGITAL CAMERA[Figura 4]

O único lugar possível para a fabricação do caldeirão de Gundestrup é nos mais altos escalões desta sociedade tribal, onde pode ter servido como um meio religioso e político de fortalecer a interrelação de poder […] Provavelmente nunca saberemos como o caldeirão estabeleceu seu caminho até a Dinamarca. Talvez ele foi trazido pelos Cimbros, que nas suas incursões através da Europa, também tiveram contato com os Scordisci. A região da Jutlândia, onde o caldeirão foi encontrado, ainda carrega o nome de uma tribo dos Cimbros: Himmerland.

cauldron[Figura 5]

Referência: KAUL, Flemming. The Gundestrup Cauldron. In: MOSCATI, Sabatino. The Celts. New York: Rizzoli, 1991. Pags: 538-539.

-Legenda:

¹ – O Caldeirão se encontra atualmente exposto em Copenhagen no Nationalmuseet.

Figura 1: Imagem de uma das partes inferiores do caldeirão

Figura 2: Imagem interna do caldeirão onde é possível notar os detalhes nos pelos dos animais citados pelo autor.

Figura 3: Imagem do touro presente no fundo da parte interna do caldeirão.

Figura 4: Uma das placas de prata que compõem a parte interna do caldeirão com a representação de Cernunnos

Figura 5: Imagem em que é possível ver o lado interno e parte do exterior do caldeirão.

 

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